Aproximação às interferências do crioulo de Cabo Verde no português de Cabo Verde e a sua distribuição estilística.
Esta
comunicação explora algumas das
interferências fonéticas que se
produzem entre no português aprendido na escola a partir do crioulo
caboverdiano. Tendo em conta a condição de ex-colónia portuguesa de Cabo Verde,
a qual tem determinado a adopção do português como língua oficial de trabalho e
comunicação nos média, no ensino e nas relações internacionais, em detrimento
da sua língua nacional, o Crioulo de Cabo Verde, após processo de planificação
linguística subsequente à sua independência; assim como a condição de país
africano economicamente dependente tanto das ajudas externas recebidas para o
seu desenvolvimento e o pagamento de uma avultada dívida externa quanto também
dependente do sector serviços, em que trabalha uma população aplastantemente
analfabeta; têm feito com que se prolongasse a situação de diglossia social e
funcional entre o português e o próprio crioulo caboverdiano, mercê à
subordinação do segundo a respeito do primeiro, de jeito que a convivência
desigual das duas línguas deu e dá lugar a interferências linguísticas
susceptíveis de análise.
As interferências linguísticas são
estudadas a partir de uma recolha empírica de dados linguísticos, apresentados
em forma de tabela de percentagens, de dois caboverdianos em diferentes
contextos, a saber: entrevista, leitura de texto literário e leitura de texto
jornalístico, com o intuito de saber tanto se a mudança de formalidade entre a
situação de entrevista e as situações de leitura afectam quantitativamente as
interferências linguísticas registadas no português a partir do crioulo, quanto
se existe alguma diferença de formalidade entre os dois contextos de leitura
que possa implicar alguma diferença nas percentagens de interferência fonética.
Palavras chave: Português; crioulo; interferências; diglossia; contextos.